Ei, Gente! :)
Depois de um tempinho sem aparecer por aqui: o PJ Entrevista voltou! E dessa vez, quem topou responder algumas perguntinhas foi a autora (brasileira) Juliana Nascimento.
Por trás da loja literária Letturale, a Ju lançou recentemente o romance “Na escuridão dos seus olhos“, um dark romance com uma trama carregada de tensão emocional, que já está em seu 3º lote de venda e futuramente o segundo livro vem aí.
Aliás, conheci a escritora and empreendedora literária na Bienal de SP e é impossível não virar fã dela. Ainda não a conhece ou quer saber um pouco mais sobre o seu trabalho? Recomendo ler essa entrevista! Pode hablar, Ju! ♥
1. “Na escuridão dos seus olhos” é o seu primeiro livro, certo? Como foi todo o processo, desde a ideia até a publicação?
R: Sim, ele é o “primogênito” do que eu espero que venha a se tornar uma grande família de livros escritos ao longo dos próximos anos. A ideia central da história apareceu para mim no mais cotidiano dos dias, enquanto eu dava almoço para minha filha.
Era uma terça-feira, e eu estava servindo arroz em seu pratinho quando a visão de um homem deitado no topo de um prédio, assistindo confuso a uma mulher chorando do outro lado da mira de seu rifle, cruzou a minha mente. O desejo de entender quem eram aquelas pessoas, o que estava acontecendo naquele momento e por que aquilo tudo tinha aparecido para mim foi arrebatador e me deixou em um estado intenso de inquietação.
Elizabeth Gilbert, em seu livro “A Grande Magia“, retrata as “ideias” como entidades vivas que caminham pelo mundo em busca de pessoas dispostas a realizá-las. Ela inclusive conta o exemplo de um livro que começou a planejar, mas acabou abandonando no meio do processo. Anos depois, em um evento literário, ela conhece outra autora e, durante uma conversa, descobre que ela está escrevendo um livro com uma premissa quase idêntica à história que ela gostaria de ter escrito.
A memória dessa passagem foi o que fez com que eu me sentasse na cadeira naquele mesmo dia e começasse a escrever, mesmo sem ter ideia de como funcionava o processo de construção de um livro. Gosto de acreditar que, se essa história chegou até mim, foi porque aquela “ideia” sabia da minha capacidade e também que eu era a pessoa certa para dar vida a ela.
Foram três meses muito intensos de dedicação quase integral para dar vida à trama de Darius e Isis. Eu aprendi muito durante todo o processo e foi um privilégio poder estar do outro lado das páginas que eu tanto amo ler. O processo inteiro foi muito bonito e emocionante. Eu sorri e chorei com meus personagens, sofri com cada uma de suas dores e torci por suas vitórias como se fossem minhas próprias. Amei cada uma das palavras que escrevi e tenho muito orgulho do resultado que alcancei.
2. Aliás, eu achei bem legal você compartilhar os bastidores da escrita no seu Insta. Me conta o que tirou de melhor dessa “ação”?
R: Eu sempre acreditei que firmar compromissos públicos é uma das melhores formas de alcançar metas. Quando você lança para o mundo um “estou fazendo isso”, você coloca o olhar das pessoas sobre aquilo e passa a trabalhar com um senso de responsabilidade: “as pessoas estão aguardando o resultado dessa ação, então eu preciso entregá-lo”.
Para alguns, isso pode ser um tipo de pressão indesejada, já que o medo de falhar publicamente acaba paralisando muitas pessoas. Mas, para mim, é justamente o contrário: isso potencializa o meu desejo de vencer. É o combustível que me impulsiona a seguir em frente. E com o livro foi exatamente isso que eu fiz. Usei o espaço que eu tinha na Letturale e lancei para o mundo a minha declaração de “estou escrevendo um livro” no segundo em que ele começou a nascer.
Passei a compartilhar meus desafios, pequenos fragmentos do que escrevia, minhas inspirações, avatares e tudo mais que envolvia essa nova parcela da minha vida. As pessoas começaram a engajar com essa nova fase e tiveram a oportunidade de se conectar com os personagens antes mesmo de eu finalizar a escrita da história.
Quando chegou o momento do lançamento, já existia uma expectativa muito grande por parte de quem acompanhou todo o processo, e foi isso que garantiu o sucesso da minha pré-venda, que muitos afirmaram estar “fadada ao fracasso” por eu ter optado por não seguir com a publicação de e-books como uma estratégia de prevenção contra a pirataria. Eu esgotei um lote de cem livros físicos em apenas 36 horas após a abertura da pré-venda. Foi incrível!
3. Qual é o lado mais desafiador de ser autora independente? E a parte boa?
R: Quando não se tem uma editora tradicional por trás, você assume todos os riscos do processo. Isso significa que, além de escrever um livro, o que já é um feito e tanto, você será responsável pela busca, escolha e custeio dos profissionais envolvidos na sua publicação. Vai ter que fazer mágica para divulgar esse novo trabalho e instigar o desejo dos leitores de lê-lo, vai precisar aprender processos editoriais para resolver todas as lombadas que forem aparecendo no seu caminho e terá que fazer tudo isso sozinho.
É como nadar às cegas em um oceano. Você não sabe direito onde está, nem para onde deve ir, e cada braçada é uma decisão que precisa tomar sem saber se aquilo que está prestes a fazer vai ou não dar certo. É o seu tempo, seu trabalho e seu dinheiro sendo investidos sem qualquer garantia de retorno, sucesso ou validação. É preciso coragem para mergulhar em águas desconhecidas.
Em contrapartida, a publicação independente também oferece duas coisas muito importantes: liberdade e a oportunidade de errar antes de evoluir. A liberdade de escrever o que quiser, sem se prender às tendências de mercado, e a oportunidade de errar em um modelo mais restrito antes de dar um passo em direção a um modelo de grande escala.
Os leitores que têm o costume de ler publicações independentes tendem a ser mais abertos e gentis, no contexto de entender que aquela obra pode ser aprimorada, enquanto leitores de publicações tradicionais geralmente têm expectativas de excelência maiores.
Pela escala de distribuição de uma publicação tradicional, um autor que é publicado e amplamente distribuído logo no início da carreira é lançado ao julgamento de muitos leitores de uma só vez. E o que às vezes era a realização de um sonho pode se transformar rapidamente em um pesadelo, especialmente quando o autor ainda não teve a oportunidade de lapidar seu trabalho e de construir repertório emocional para lidar com eventuais críticas.
4. Como a “skin Ju empreendedora” (que está por trás da marca Letturale) tem ajudado com a “skin Ju escritora”?
R: Eu abri um perfil despretensioso no Instagram para vender bugigangas na internet muitos anos atrás, e o que era para ser apenas mais uma “lojinha” acabou se transformando na minha vida inteira.
Comecei vendendo pequenas bijuterias e enfeites, até o dia em que comprei uma máquina de costura e fiz a minha primeira peça: uma capa de livro em tecido para proteger meus livros, depois de ter uma edição destruída dentro da minha bolsa a caminho da faculdade. Naquele momento eu percebi que poderia unir duas paixões e transformá-las em um negócio. Eu só não esperava que isso também me daria a oportunidade de construir uma comunidade incrível que me acompanha até hoje e que permaneceu ao meu lado mesmo quando precisei sumir das redes por dois anos, depois do nascimento da minha filha.
Em 2022, eu e meu marido levamos a Letturale para a Bienal do Livro, e foi lá que eu finalmente entendi o peso que a minha presença na internet realmente tinha. Pessoas que até então só existiam nas telas apareceram naquele pequeno espaço de 2×2 metros dispostas não apenas a comprar nossos produtos, mas também a nos abraçar e nos oferecer um carinho que eu não estava esperando.
Na minha cabeça, eu era apenas a representante de um negócio, apenas uma loja. Mas, na verdade, eu descobri que eu era uma voz. Isso ficou cristalino quando uma moça, que havia viajado de outro estado para visitar a Bienal, se emocionou ao chegar ao nosso estande e nos conhecer ao vivo. Com lágrimas nos olhos e muitos abraços, eu vi ali alguém que enxergava além das etiquetas de preço dos meus produtos. Ela me via, e o que eu dizia tinha peso na sua própria vida. Essa experiência me transformou como pessoa e refletiu em todos os aspectos da minha vida.
Quando você entende que aquilo que lança ao mundo tem impacto na vida de outras pessoas, passa a encarar o peso da própria responsabilidade com as mensagens que coloca no universo. Isso fez com que eu encarasse a escrita com muita responsabilidade.
O dark romance costuma abordar temáticas controversas e muito intensas, e é muito fácil “perder a mão” em uma narrativa do gênero, especialmente quando aquilo que choca pode ser facilmente transformado em dinheiro. Eu fiz questão de olhar com cuidado para cada elemento, para que tudo fosse retratado de forma respeitosa, sem romantização da violência e demonstrando que até mesmo o amor que nasce da dor pode ser redentor e belo.
5. Além do seu, escolha três livros dark romance para indicar para os leitores do PJ? Aqueles favoritos mesmo!
R: Meu primeiro contato com o gênero foi através da coleção “Hades Hangman“, escrita por Tillie Cole e publicada no Brasil pela Gift Box. Tenho muito carinho por ela, pois foi a primeira vez que algo que li me deixou desconfortável e fascinada na mesma medida. Para quem nunca teve contato com o gênero, sugiro “Na Escuridão“, de Navessa Allen. É uma comédia dark entre uma enfermeira e um stalker mascarado que é praticamente a personificação de um golden retriever. Para quem é fluente em inglês e tem acesso ao Audible, recomendo escutar o audiobook, narrado por Jacob Morgan, que dá todo um tempero diferenciado à história. E, por fim, a coleção “The Hollow Boys“, de Monty Jay. Ainda não foi publicada no Brasil, mas acredito que alguma das principais editoras já esteja de olho nesses títulos. É uma delícia e vai fazer muita gente suspirar por Alistair, Rook, Thatcher e Silas.
6. Hora de vender o seu peixe: por que os leitores devem ler “Na escuridão dos seus olhos”?
R: Eu acredito que os leitores deveriam ler “Na Escuridão dos Seus Olhos” porque essa é uma história sobre pessoas quebradas tentando encontrar alguma forma de luz dentro da própria escuridão.
Apesar de ser um dark romance, o livro não se apoia apenas no choque ou na violência para conduzir a narrativa. Ele mergulha profundamente nas emoções e nas cicatrizes que os personagens carregam. Tanto Isis quanto Darius são pessoas marcadas por traumas muito profundos, e acompanhar a forma como eles se reconhecem um no outro, mesmo em meio ao caos, cria uma conexão emocional muito intensa com o leitor. Também é uma história sobre escolhas. Sobre o momento em que alguém precisa decidir se continuará reproduzindo os próprios traumas ou se terá coragem de romper com aquilo que sempre acreditou ser o seu destino.
Para quem gosta de romances intensos, protagonistas moralmente ambíguos e histórias que misturam suspense, dor emocional e desejo, acredito que esse livro oferece uma experiência muito imersiva. É o tipo de narrativa que provoca desconforto em alguns momentos, mas que também convida o leitor a refletir sobre redenção, amor e sobre a possibilidade de encontrar humanidade mesmo nos lugares mais sombrios.
***
Sei que ficou um pouco grande a entrevista, mas foi impossível editar algo que a Ju falou. Cada palavra foi uma injeção de ânimo por aqui. E espero que faça sentido por aí, seja você um aspirante a escritor ou um leitor que gosta de conhecer os bastidores. Muito obrigada, Ju! Por ter topado responder as perguntas! Desejo TODO SUCESSO DO MUNDO. ♥
Quem quiser garantir o 1º livro, só clicar aqui. Quer dar uma olhadinha em uma das lojas literárias mais perfeitas desse Brasil, o link está aqui! E vale acompanhar o Insta dela também! No mais, podem opinar à vontade. :)
Beijos, Carol.
Post Recomendado: PJ Entrevista – Esperanza Luque
Skoob ♥ Instagram
leia também









Carol, não tenho nem palavras para agradecer a oportunidade. Obrigada pelo carinho, pelo espaço e por participar desse sonho comigo! ❤️
Realmente a entrevista foi muito boa e interessante. Parabéns pelas perguntas e pelas respostas de Juliana.
Boa semana!
O JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!
Jovem Jornalista
Instagram
Até mais, Emerson Garcia
Oi Carol,que saudade eu estava daqui.
Gostei de conhecer essa autora, achei bem legal essa entrevista. Uma oportunidade de conhecermos novos talentos.
Beijos.
http://www.parafraseandocomvanessa.com.br