30.01.2015
* PJ Entrevista: Autora Clarice Pessato! ♥
Oi, Gente! Para dar início às entrevistas com autores brasileiros desse ano, escolhi a escritora Clarice Pessato. Aos 18 anos, ela sofreu um acidente de carro e ficou tetraplégica. Para muitos isso seria o fim, mas com uma fé extraordinária e um Deus maravilhoso, ela seguiu em frente e transformou os episódios nada fáceis em um livro chamado O Penúltimo Capítulo. O post está um pouquinho grande, mas vale ler cada letrinha dessa entrevista. Independente da sua religião, o amor dela por Deus contagia e ela nos mostra que realmente a fé move montanhas. Vamos lá? ;-)

Entrevista: 
Autora Clarice Pessato! 

1. Conte um pouquinho como foi o processo de traduzir em palavras e transformar em livro todos esses acontecimentos nada fáceis da sua vida. Ao escrever o livro, viveu algum sentimento novo ou reviveu antigos? Conte um pouquinho também. 
R: Ficar tetraplégica aos 18 anos, vivendo em uma sociedade com padrões e valores que consideram mais a aparência do que a essência foi muito difícil. Minha frágil fé foi testada com as muitas decepções. Mas, antes que eu pudesse desanimar, Deus mostrou que este não era o fim, era apenas o início de uma caminhada de fé. Embora não pudesse reconstruir meu corpo, comecei a entender que seria possível reconstruir minha vida sem depender das circunstâncias. Mesmo gostando de ler e escrever não pensava em escrever um livro, especialmente minha biografia. Porém, quando eu percebi que a minha experiência de vida poderia ser importante para ajudar outras pessoas, decidi compartilhar minha história. Expor nossa vida não é nada simples, principalmente quando os fatos estão distantes. Retomar a eles é revivê-los e nem sempre é fácil. Por isso foi como se eu estivesse fazendo uma viagem onde revivi bons momentos, mas também momentos tristes e difíceis que marcaram profundamente minha vida. Em muitos momentos foi difícil escrever e algumas lembranças me fizeram chorar. Muitas palavras escritas no livro foram regadas com lágrimas, mas com o objetivo de abençoar e frutificar. 
2. De todas as lições que você aprendeu com o acidente e suas consequências, qual foi a principal e que acha importante ressaltar para seus leitores (e futuros também)? 

R: Existem dois pontos que ressalto ao descrever os acontecimentos de minha vida. Além de chamar atenção para o inesperado na vida, destaco a discriminação existente ao redor de nós e em nós. No entanto, a principal lição que aprendi foi que somente a fé pode sustentar e transformar as situações. Fé remete à crianças, por isso destaco a beleza e a simplicidade das crianças com o objetivo de auxiliar aos leitores a serem humildes como as crianças. Necessitamos ser simples como as crianças que conseguem ver as pessoas além das aparências e sem acepção amam sem distinção. Se nós agirmos como as crianças, olharemos para todos com bons olhos e vamos entender que ao nos preocuparmos com o coração, com o sentimento humano, o preconceito será eliminado e o amor ao próximo será real. Ao compartilhar minha fé nas páginas de meu livro, pretendo espalhar a semente que um dia foi plantado no meu coração, transmitir o que aprendi sobre Deus e permitir que através da minha experiência outras vidas sejam edificadas e abençoadas.

3. Tem alguma curiosidade do livro que contou para poucas pessoas? Se sim, pode revelar para a gente? 


R: Eu acredito que num livro de 200 páginas eu não poderia escrever toda minha experiência de vida e existem muitas curiosidades que não foram reveladas. Geralmente as pessoas fazem perguntas como é minha vida diária, dependendo de outras pessoas. Acho importante deixar as pessoas meditarem a esse respeito, por exemplo sobre como uma pessoa sem movimentos faz para as simples necessidades diárias. Mas eu posso revelar que, com o adaptador que uso no meu braço esquerdo, escrevi o livro sem ajuda, sozinha, cada letra em cada capítulo.

4. Qual é a mensagem que você quer passar com a capa e o título do livro? 


R: A alegoria da vida é demonstrada no livro desenhado na capa. A borboleta sem cor e o título do livro nos remetem a algo inacabado, representando a nossa vida sempre em processo de transformação. Nossas escolhas escreverão cada capítulo. Especialmente as escolhas feitas no penúltimo capítulo, pois elas decidirão o capítulo eterno com Deus. A nossa história não acaba no ponto final de um livro, porque o verdadeiro e eterno capítulo de nossa vida é escrito por Deus.

5. Seu livro fala muito sobre fé, então como você definiria essa palavra tão curtinha, mas que pode fazer milagre na vida de uma pessoa? 


R: Meu livro fala muito sobre fé, porque, embora eu não possa defini-la, foi a fé que me possibilitou prosseguir efetuando o milagre da superação. Na caminhada de reabilitação fui testada com as muitas decepções. Mas aprendi que este não era o fim, era apenas o início de uma trajetória de fé que poderia dar muitos frutos. A fé me ajudou e foi essencial para prosseguir. Mesmo com tantas perdas e impossibilidades, eu fui aprendendo a ter uma atitude de apreciação às pequenas coisas, com uma profunda gratidão, com perseverança e alegria não dependentes das circunstâncias. Hoje, tantos anos depois que tudo aconteceu, eu desfruto do poder e da força derramados diariamente por meu Deus. A fé transformou minha cruz em símbolo de esperança e liberdade e iluminou minha escuridão.

6. Para você, como seria um último capítulo feliz? 


R: No início de minha reabilitação eu achava que seria eu que escreveria o último capítulo de minha vida e um último capítulo com final feliz seria voltar a caminhar. Existia a discriminação e o preconceito dentro de mim. Eu considerava a aparência mais importante do que a essência. O meu coração precisava ser mudado, precisava ser curado. Quando isso aconteceu eu entendi que as coisas desta vida são sem valor, pois somente poderemos levar conosco para o céu o que desenvolvermos de bom em nossa vida seguindo o exemplo de Cristo. Eu recebi a felicidade quando entendi que sou uma obra de Deus, criada de acordo com o plano que Ele designou para mim. Nossa vida não acaba aqui nessa terra, mas continua com Deus na eternidade. O último capítulo é escrito por Deus, e, ao decidir segui-lo e servi-lo, podemos ter certeza que será feliz. “Mas, como está escrito: “As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que amam”. (1 Coríntios 2:9)


7. Para terminar, se tivesse que salvar três livros, quais seriam os escolhidos? 


R: Eu salvaria a Bíblia; Os Caçadores de Deus (Tommy Tenney) e Maravilhosa Graça (Philip Yancey)

“Uma lesão permanente ou doença, qualquer situação nociva ou de profunda decepção é assustadora para qualquer pessoa. Mesmo percebendo a gravidade da minha situação existia uma rejeição a tetraplegia e, por não aceitar a minha nova condição, durante muitos anos eu vivi na ilusão de que a qualquer momento tudo poderia ser resolvido e que eu iria voltar a caminhar. Mas era necessário mais que cura física. Tive que passar por um longo e doloroso processo, as mudanças tinham que acontecer na minha mente e as transformações só foram possíveis quando abri meu coração e deixei Deus conduzir-me. Quando eu mudei, tudo a minha volta mudou: a família, os amigos… Todos foram influenciados. Descobri que a minha vida tem valor e importância e que, mesmo na condição tetraplégica, eu posso sentar à mesa com o meu Jesus e cear com Ele em alegria, pois Ele não faz acepção de pessoas e acolhe a todos indiscriminadamente em amor. Por isso, posso dizer para quem passa pela mesma situação que passei que Deus pode transformar de forma positiva  qualquer situação, sem que necessariamente as circunstâncias sejam mudadas de acordo com os nossos padrões de certo ou errado, de bom ou ruim. E, por mais desesperada que a vida de alguém que vive uma lesão possa parecer, existe esperança. Deus diz: Vinde a mim e eu vos aliviarei. Muitas pessoas estão cansadas, sobrecarregadas, oprimidas, outras têm um coração doente, talvez não seja o preconceito, mas uma mágoa, um ressentimento ou uma tristeza e Deus quer sarar e dar um novo coração. Sejam quais forem as circunstâncias, enquanto estivermos respirando, temos uma contribuição a dar. Por ser obra de Deus, somos preciosos. O mesmo Jesus que fez na minha vida pode fazer na vida de todos. Nós só temos que estar dispostos a segui-lo, abrir nosso coração e permitir a ação Dele em nossas vidas. Por isso, escolha seguir a Deus, porque nossas escolhas no penúltimo capítulo de nossa vida decidirão o capítulo eterno.” (Clarice Pessato)

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Pequenos detalhes mudam o nosso dia, né? Minha fé anda meio abaladinha, por problemas bobos, mas ler as respostas da Clarice me deu uma injeção de ânimo. Se com a entrevista já fiquei mais animada, imagino com o livro. Falando nisso, eu ainda não li esse livro, porque descobri aqui na viagem, mas assim que eu chegar vou ler e conto depois o que eu achei aqui no blog. Quem quiser comprar o livro é só entrar em contato com ela por e-mail claricepessato@hotmail.com.br. ;-) Ah! Obrigada, Clarice! Pelas lindas e inspiradoras respostas. Ansiosa para ler a sua história. Falando nisso, todo sucesso do mundo para o seu livro. ♥
Gostaram? Podem opinar à vontade! ;-) 
Um beijo, 
Carol. 
P.S: Crédito das Imagens: Clarice Pessato! ;-) 
P.S (2): Descobri o livro através do blog Livros e Sonhos. ;-) 

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